20/12/2021

Foto: Felipe Dalla Valle / Palácio Piratini

A Sulgás e a SebigasCótica firmaram, nesta segunda-feira (20) o primeiro contrato de suprimento de biometano do Rio Grande do Sul. O ato de assinatura foi realizado às 9h, no Palácio Piratini, com a presença do governador Eduardo Leite; do secretário do Meio Ambiente e Infraestrutura, Luis Henrique Viana; do presidente da Sulgás, Carlos Camargo de Colón e do diretor da SebigasCótica, Maurício Silveira Cótica.

A iniciativa representa um marco na história do Estado, pois é o ponto de partida para a inserção dessa fonte de energia renovável na matriz energética gaúcha. Ela também representa a conclusão da primeira etapa de um trabalho de longa data realizado pela Sulgás para viabilizar o biometano como opção energética aos gaúchos. 

Governador Eduardo Leite Foto: Felipe Dalla Valle / Palácio Piratini

“Essa assinatura é extremamente importante para nós, e vem ao encontro do que já temos trabalhado no RS. Além de ser uma oportunidade do ponto de vista sustentável, também tem benefícios econômicos. Resolvendo passivos ambientais, é possível expandir a possibilidade de atividade rural, na medida em damos outro fim aos resíduos. Estamos comprometidos com a redução de emissões de carbono no âmbito do Race to Zero, e esse é mais um passo dado nessa direção”, disse o governador.

O contrato

 

Diretor-presidente da Sulgás, Carlos Camargo de Colón  Foto: Felipe Dalla Valle / Palácio Piratini

O acordo entre as duas empresas é resultado da chamada pública para aquisição de biometano, lançada pela Sulgás em 2020. A proposta prevê a instalação de uma central de tratamento integrado de resíduos (CTIR) em grande escala, na cidade de Triunfo, com capacidade para receber resíduos da agroindústria, que serão transformados em biocombustível.

A planta da CTIR incluirá uma usina de produção de biometano originado a partir da transformação de resíduos da atividade agrossilvopastoril. O volume inicial para os cinco primeiros anos do contrato de suprimento com a Sulgás é de 15 mil m³/dia, a contar de 2024, ano em que está previsto o ínicio da entrega. A capacidade poderá ser ampliada para 30 mil m³/dia a partir do sexto ano, conforme previsão contratual.

O presidente da Sulgás, Carlos Camargo de Colón, comemora o momento e acredita que esse será o primeiro passo para inserir na matriz energética um novo produto que têm muitos benefícios. “Em primeiro lugar, a pegada ambiental do biometano é muito positiva, pois vem de uma fonte 100% renovável e não de origem fóssil. Além disso, diversificar a fonte de suprimento, especialmente nesse momento de alta de preço do petróleo e gás, é um movimento importante para o mercado de energia. O Biometano é uma fonte de gás local, que gera emprego e renda, desenvolvendo economicamente as regiões. Este projeto também poderá incentivar a instalação de novos empreendimentos semelhantes em outros locais, ampliando o acesso dos consumidores a um combustível com as mesmas especificidades e aplicações do gás natural”, ressalta o dirigente.

Em relação ao meio ambiente, Carlos destaca que a produção e comercialização do biometano contribui na solução para o passivo ambiental gerado pela atividade agropecuária e da agroindústria, além de reduzir as emissões de poluentes ao substituir outros combustíveis. “Ganha também o agronegócio, que pode ampliar sua produção, pois terá um lugar adequado para destinação de seus resíduos e ainda transformar o que era um custo em uma nova fonte de renda”, reforça o presidente da Sulgás.

Graças ao trabalho realizado pela Companhia nos últimos anos, em parceria com empresas e universidades, a ANP emitiu duas resoluções que hoje possibilitam a comercialização de biometano no Brasil. “Sem dúvida, esse primeiro contrato é um marco na nossa história e início de um mercado que tem grande potencial de crescimento no Rio Grande do Sul”, conclui o presidente.

O projeto em Triunfo irá beneficiar, inicialmente, os clientes da Sulgás do Pólo Petroquímico de Triunfo. Quando o produto for lançado no mercado gaúcho, ele será chamado GNVerde, marca registrada pela Sulgás para o biometano.

Maurício Silveira Cótica Foto: Felipe Dalla Valle / Palácio Piratini

Economia circular

Diferentemente de outros combustíveis renováveis derivados da biomassa, que dependem do plantio para produção do combustível, o biometano que será produzido no Estado será oriundo de resíduos, o que contribui ainda mais com o meio ambiente.

O empresário Maurício Silveira Cótica explica que o negócio a ser desenvolvido é uma plataforma de economia circular para tratamento de resíduos e geração de gás e energia renovável e que este é o primeiro de outros projetos em desenvolvimento pela empresa com este formato.

“Este projeto traz soluções e tecnologias inéditas no país e funcionará como uma central de recebimento de resíduos de diversas empresas, que serão tratados e deles será gerado o biogás, que depois de passar por um processo de purificação, transforma-se em biometano, que será injetado na rede canalizada da Sulgás, misturando-se ao gás natural. É um negócio em que todos os substratos e subprodutos são aproveitados e valorizados, primando pela economica circular e pela sustentabilidade”, explica o diretor da SebigasCótica.

O investimento no projeto será de R$ 150 milhões. Já a Sulgás, investirá cerca de R$ 9 milhões em obras e equipamentos para a interligação da usina com a rede canalizada de distribuição de gás.

A SebigasCótica desenvolve negócios e projetos em biogás, sendo o resultado da joint venture entre e italiana Sebigas e a gaúcha Cótica, e traz a experiência de mais de 80 plantas realizadas. A empresa tem atuação de ponta a ponta, desenvolvendo tecnologias e processos próprios, implementando e operando plantas de biogás.

A SebigasCótica tem em seu portfolio a realização da maior planta de biodigestão das Américas, realizada para a Raízen no estado deSão Paulo, um projeto pioneiro no país e que utiliza tecnologia proprietária da empresa para a biodigestão de vinhaça, subproduto da produção do etanol e açúcar. Também atuante em outros países da America Latina, a empresta está concluindo a realização de uma planta na província de Buenos Aires, na Argentina.

O projeto 

 

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Período de vigência contratual previsto: 10 anos a partir do início do fornecimento

Início de fornecimento previsto: outubro de 2024.

Capacidade inicial: 15 mil m³/dia (2024) e 30 mil m³/dia (2029). 

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Transporte e origem da biomassa

Os resíduos serão entregues na CTIR Triunfo por caminhão, conforme logística atual de destinação de resíduos das empresas geradoras. Na formatação atual do projeto, estão considerados os resíduos encontrados em um raio de 100km desde a localização do CTIR. Com a entrada em operação da planta e também em suas fases de expansão, outras empresas de todo o Estado do RS podem vir a ser incluídas na carteira ao longo da operação do CTIR.

BENEFÍCIOS DA PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DO BIOMETANO

• Gás 100% renovável, capaz de reduzir a pegada de carbono;
• Energético com as mesmas aplicações, vantagens e benefícios do gás natural;
• Possibilidade de injeção em rede, juntamente com o gás natural;
• Interiorização de um energético ambientalmente favorável;
• Redução de passivo ambiental pelo tratamento adequado dos resíduos;
• Possibilidade de expansão da produção agropecuária, em função da redução do passivo ambiental e aumento da disponibilidade de área;
• Redução da emissão de poluentes durante a queima;
• Promoção de atividade econômica local, com geração de emprego e renda e oferta de energia renovável para a cidade e produtores rurais.

 Um mercado em potencial  

De acordo com estudos da ABiogás, o Brasil apresenta um potencial de produção de 120 milhões de m³/dia de biogás. Este volume poderia suprir 40% da demanda por energia elétrica e 70% do consumo de diesel.

Em relação à realidade gaúcha, conforme o Atlas das Biomassas, estudo encomendado pela Sulgás à Univates concluído em 2016, o RS tem capacidade de produzir 2,7 milhões m³/dia de biogás, 1,5 milhão m³/dia de biometano e gerar 2,4GW de energia elétrica, a partir de biomassa agrossilvopastoril.